O Novo
Testamento está sempre afirmando que a verdadeira vida cristã é essencial e
radicalmente diferente da vida natural do homem do mundo. Externamente, pode
ser bem parecida, com elementos tais como: ganhar a vida, estudar, casar, criar
filhos, varrer a casa, comprar mantimentos, conviver com a vizinha, etc.
Mas
interiormente, o princípio de vida é completamente diverso. Cristo participa de
todos esses elementos. A vida é vivida por meio dEle. É Ele o motivador de
todas as ações certas, e Aquele que corrige as ações e pensamentos errados. É
quem dá todas as alegrias e cura todos os males. Ele já não está à margem da
vida, lembrado aos domingos, mas ausente durante o resto da semana. Ele é o
centro de tudo; a vida gira em torno dEle e por isso está corretamente
focalizada; o coração é possuído por uma paz profunda; o espírito é revestido
de força a despeito das provações externas, e bondade e alegria irradiam para
todos os lados. Isso é que é viver!
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É
impossível manter em segredo, para si só, este tipo de vida. Ela clama por ser
transmitida a outros que ainda estão lutando com senso de culpa, desespero, auto
rejeição e hostilidade. Onde quer que o sofrimento se manifeste, ali essa vida
pode começar a ser partilhada. Alguém já definiu isso de uma forma simples e
bela: "É um mendigo dizendo a outro onde pode encontrar pão." Essa
transmissão de vida não exige uma apresentação formal ou estilizada, nem um
lugar ou ocasião especial. Não se restringe àqueles que foram ordenados ou se
encontram "no ministério". Qualquer pessoa que já vivenciou o
verdadeiro ministério, acessível a todos, que o apóstolo passa a descrever:
"Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de
Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em
Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas
transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação." (2 Co 5:18,19.)
Neste
breve trecho, Paulo usa quatro vezes a ideia de reconciliação. Já que o homem
foi criado para ser a habitação de Deus, nada poderia ser pior para a nossa
condição humana, do que estarmos distanciados do Deus que nos criou. O
principal mal da humanidade é achar-se separada de Deus, e ele se manifesta em
expressões dolorosas tais como senso de culpa, hostilidade e desespero.
Assim
sendo, a melhor notícia que um homem pode receber é a de que foi encontrado um
meio de reconciliação com Deus. E o grande privilégio do cristão é justamente
proclamar essa boa-nova àqueles que necessitam dela desesperadamente, e estão
desejosos de acolhê-la devido aos sofrimentos porque passam, e às carências que
há em sua vida. O testemunho deve sempre iniciar-se pela necessidade do
indivíduo. "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados"
disse Jesus, "e eu vos aliviarei".
O
apóstolo salienta alguns aspectos desse ministério, a fim de revelar sua
grandeza e relevância. Vamos recordá-los para nos conscientizarmos do
inestimável privilégio que é proclamar essa mensagem às pessoas que sofrem.
Esse
ministério origina-se em Deus. É uma experiência pessoal. É abrangente. Traz
libertação. É entregue pessoalmente. É investido de autoridade. É voluntário.
Realiza o impossível. É experimentado em cada momento de per si.
Vejamos destacadamente as
características desse ministério.
Origina-se
em Deus. "Tudo provém de Deus", diz Paulo. A parte ofendida é quem
inicia o movimento de reconciliação. A boa-nova não parte do homem; não é
simplesmente mais um dos muitos recursos que o homem criou para tentar
encontrar o caminho de volta a Deus. A própria natureza dessa boa-nova é tal,
que nunca poderia ter sido inventada pelo homem, a não ser fraquezas, fracassos
e rebeldia.
É uma
experiência pessoal. "Deus... nos reconciliou consigo mesmo por meio de
Cristo." O crente que dá testemunho da nova aliança não fala de modo
acadêmico. Ele se identifica perfeitamente com o sofrimento e as trevas
daqueles a quem se dirige, pois ele próprio já esteve nessa situação. Mas ele
já encontrou uma solução tão satisfatória e completa, que ficou ansioso para
transmiti-la a outros. Não fala do "plano da salvação" como se fosse
uma doutrina teológica, que existisse apenas uma apreensão intelectual de seu
conteúdo, para proporcionar a experiência. Em vez disso, ele dá testemunho de
um Senhor pessoal, que ao mesmo tempo é o Salvador e o sustentador de sua vida.
Ele não procura dar a impressão de que, quando se rendeu ao Senhor foi imediata
e completamente liberto de toda luta contra o mal, contra o senso de culpa,
ódio e medo, mas deixa claro que essa rendição inicial provocou uma mudança
permanente no seu coração.
É
abrangente. "E (Deus) nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que
Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo." Uma das maravilhas
do verdadeiro cristianismo é a sua universalidade. Não é absolutamente "a
religião do homem branco", nem é somente para negros, vermelhos ou
mulatos. Não se destina às classes trabalhadoras, assim como não é para as
classes ricas, nem para os que vivem em favelas. Os homens irão descobrir que ele se
ajusta perfeitamente às suas necessidades de homens, e as mulheres verão que
ele realiza e completa sua feminilidade. Este ministério leva a Deus todas as
carências de cada pessoa, física, espiritual e emocional.
Traz
libertação. "Não imputando aos homens as suas transgressões." Pela
cruz de Jesus, o problema criado diante de Deus pelo pecado humano é totalmente
eliminado. E para eliminar suas nocivas consequências sobre a vida humana, Deus
nada exige, a não ser um reconhecimento sincero desse mal. Não exige nenhuma
penitência e nem as aceitará. Não exige autoflagelação. Qualquer tentativa de
se recorre a tais coisas é apenas prova de que a pessoa vem a Cristo pela
primeira vez, mas a toda a sua vida. O castigo da morte por todos os nossos
pecados já foi aplicado a Cristo. E isso significa a morte em suas diversas
formas, como já vimos. Só a experimentamos quando nos recusamos a crer em Deus,
e procuramos justificá-la perante Ele. Mas a experiência da morte encerra-se no
momento em que cremos nEle: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os
que estão em Cristo." (Rm 8:1.)
É
entregue pessoalmente. "E nos confiou a palavra da reconciliação". A
boa-nova não nos chega por intermédio de anjos. Não nos é anunciada dos céus
por vozes fortes, impessoais. Nem nos chega por nos debruçarmos sobre
empoeirados volumes do passado. Em cada geração, ela é transmitida por homens e
mulheres, seres vivos, que falam de uma experiência que eles próprios viveram.
A encarnação, o Verbo que se fez carne, é o meio eterno pelo qual Deus se
comunica com as pessoas. Vem sempre às expensas de muita fome e sede, de
provações pessoais que enfrentamos por amor a Cristo - sangue, suor e lágrimas.
É
investido de autoridade. "De sorte que somos embaixadores em nome de
Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio." O embaixador é um
porta-voz oficial de uma nação, num país estrangeiro. Sua palavra tem o
respaldo da nação que o enviou, mas apenas quando essa palvra representar
realmente o pensamento e a vontade do Estado que representa. Assim também os
crentes, por toda a parte, são porta-vozes autorizados por Deus, "como se
Deus exortasse por nosso intermédio", mas somente quando estão vivendo
como cristãos autênticos. Quando isto acontece, Deus honra a palavra deles e
opera mudanças visíveis e reais na vida daqueles que aceitam seu testemunho. É
a característica da inegável realidade, que vimos no estudo: Distinguindo a
verdadeira vida cristã.
É
voluntário. "Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com
Deus." Em todo esse texto, o apóstolo emprega palavras que revelam a
natureza não coercitiva do evangelho: "exortar", "rogar". E
já que, como ele afirma, rogamos "em nome de Cristo", ou
literalmente, "em lugar de Cristo", é muito importante que não usemos
de mais coação do que o Senhor usou nos dias em que viveu entre nós. Na
verdade, o cristianismo autêntico é Cristo falando aos homens, pelo Espírito,
por nosso intermédio, nos dias de hoje. Se for de outra forma, já não será do
Espírito.
Realiza
o impossível. "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós;
para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." Essa é a suprema glória da
nova aliança. Ela obtém o que nunca poderia ter sido alcançado pelo homem
caído: justiça (valor) diante de um Deus santo. E isso parece impossível até
para Deus. Como um Deus justo poderia justificar o injusto? Como um Deus reto
pode, com justiça, declarar reto um pecador ímpio? É um enigma que confunde até
mesmo os anjos. Mas já foi realizado! Aquele que não conheceu pecado, Jesus o
justo, (na cruz) tornou-se pecado por nós, que não conhecíamos a justiça, a fim
de que a justiça de Deus pudesse passar a nós e ser nossa para sempre. E essa
justiça não apenas caracteriza nossa posição perante um Deus santo, mas é
também nossa condição no presente, sempre que andarmos no Espírito. Portanto, a
cruz é o lugar onde Satanás é sempre derrotado. A cruz era o grande segredo que
Deus tinha e que o diabo não contava. O grande acusador nunca poderá encontrar
um fundamento pelo qual possa fazer o Deus justo voltar-se contra nós, pois
todos os nossos pecados foram separados de nós, para sempre, pela cruz. Agora
podemos ter uma identidade totalmente nova. Somos um só espírito com o próprio
Jesus.
É
experimentada em cada momento. "E nós, na qualidade de cooperadores com
ele, também vos exortamos a que não recebais em vão a graça de Deus (porque Ele
diz: Eu te ouvi no tempo aceitável e te socorri no dia da salvação: eis agora o
tempo aceitável, eis agora o dia da salvação." (II Co 6:1,2).
É
possível alguém receber a graça de Deus em vão. Isto é, a pessoa pode viver grande parte de
sua vida utilizando os recursos da carne, em vez do poder e riquezas do
Espírito. Assim sendo, nesses momentos, ou horas, ou dias, Cristo de nada nos
vale. Nós o temos, mas vivemos como se ele nem estivesse ali. A graça e o poder
de Deus nos pertencem, mas não nos valem de nada.
E como
temos que receber a graça de Deus pela fé (ou pela dependência) e dela nos
apropriarmos a cada momento, então é com o momento presente que devemos
preocupar-nos. "Eis AGORA o tempo aceitável; eis AGORA o dia da
salvação". O fato de que alguns instantes atrás estávamos andando no
Espírito não tem valor para nós agora. Nossa intenção de andar no Espírito
daqui a alguns minutos não nos redime o presente. Se agora escolhermos agir na
carne, este tempo está perdido, para sempre, e nunca poderá ser revivido ou
reconquistado.
Disputemos
a corrida da vida, procurando viver cada momento no poder e na graça do
Espírito de Cristo, pois qualquer instante passado na carne é tempo em que
recebemos a graça de Deus em vão.
A
verdadeira vida cristã se manifesta no desempenho, pelo crente, do seu correto
papel no ministério que Deus lhe destinou no Corpo de Cristo.
Este é
o ministério da reconciliação que Deus nos confiou. Ele não nos envia sozinhos,
mas Ele próprio vem conosco, para ser tanto o Autor como o Consumador de nossa
fé.
Que
oportunidade maravilhosa e desafiante este grande ministério constitui para
nós! O próprio apóstolo Paulo acha-se maravilhado pela glória e esplendor dele.
E agora ele encerra este trecho da carta, em que analisa a nova aliança, com
uma passagem de infinito poder e beleza, na qual sua própria experiência se
torna um exemplo ilustrativo.
Possamos
perceber a profundidade e o correto sentido dessas palavras, cada um tomando
posse deste ministério, até que o Senhor nos revele outros.
"Portanto,
meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do
Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão" (I Co
15:58).