O que é um reino?
Basicamente, trata-se de um território governado por um
rei. Nesse território existe um povo. O governo de um rei é o cumprimento da
sua vontade, e esta é expressa através das leis e dos decretos reais.
No período em que a Bíblia foi escrita,
as nações eram governadas por reis. A monarquia era o regime dominante. O
próprio povo de Israel, no período dos juízes, foi até Samuel pedir que ele
estabelecesse um rei sobre a nação. Devido a esse contexto histórico e
político, encontramos tantas vezes na Bíblia a expressão "Reino de
Deus". Era algo muito significativo para aquela época. Hoje, poucos países
adotam a monarquia. Entretanto, o "Reino de Deus" ainda é uma
terminologia exata para definir o que pretende.
O que é o reino de Deus?
De acordo com a
definição acima, deduzimos que, no reino de Deus, Deus é o rei. O território do
seu domínio é todo o universo. Os seus súditos são: no céu, os anjos; na terra,
os cristãos. A essência desse reino é a prática da vontade de Deus, que está
expressa na "constituição do reino", a Bíblia. No universo,
encontram-se também os opositores do rei, que são os anjos caídos e os homens
ímpios, pessoas que não se submetem a Deus.
O propósito da Bíblia é o estabelecimento do reino de
Deus entre os homens. Jesus iniciou seu ministério anunciando o reino de Deus,
e, em sua oração, ele disse ao Pai: "Venha o teu reino, e seja feita a tua
vontade, assim na terra como no céu."
Quem quiser fazer parte do reino de Deus, deve nascer de
novo (João 3.3,5), e isto acontece quando se aceita a Jesus Cristo como
salvador. Quem já entrou nesse reino está comprometido com a realização da
vontade do rei, que é Deus. Portanto, não tem cabimento um cristão viver em
função da realização de sua própria vontade, ou em prol da realização de seus
próprios sonhos. Nosso primeiro sonho deve ser a realização da vontade de Deus.
Podemos ter outras aspirações e desejos, mas tudo fica em segundo plano.
"Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos
serão acrescentadas." (Mt.6.33). O que é isso na prática? Diante de uma
situação em que precisarmos tomar uma decisão, devemos escolher a opção que
consideramos a mais coerente com o que conhecemos da Bíblia, ainda que a outra
alternativa seja interessante, agradável e atraente. Se agirmos assim,
estaremos buscando o reino de Deus. Se agirmos de outro modo, estaremos
buscando o nosso próprio reino, ou seja, fazendo a nossa própria vontade. Por
outro lado, se você não conhecer a Bíblia, não conhecerá a vontade do rei.
Assim, poderá estar agindo contra o reino, mesmo sem saber. E esta ignorância
não o isentará da punição.
Vimos, portanto, que o reino de Deus está relacionado com
a prática de sua vontade. Isto começa com pequenas atitudes e pensamentos. Faça
um exercício de busca do reino de Deus. Comece renunciando pequenas coisas que
porventura estejam erradas em sua vida. Isto será como pequenas sementes que
você vai lançar.
Jesus disse que "O reino dos céus é semelhante ao
grão de mostarda que um homem semeou em seu campo, o qual é a menor de todas as
sementes, mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de modo
que vêm as aves dos céu e se aninham nos seus ramos." (Mt. 13.31-32). Com
dedicação, cuidado e perseverança, o reino de Deus crescerá e será glorioso em
sua vida, assim como haverá de ser em toda a terra.
O Reino de Deus é basicamente o domínio, o reinado ou a soberania de
Deus sobre tudo. A doutrina acerca do Reino de Deus permeia a Bíblia como um
todo. Por isso é preciso entender que a expressão “Reino de Deus” traz um
conceito bastante amplo, cujo significado e sentido devem ser compreendidos à
luz do contexto de toda Escritura.
As profecias acerca do Reino de Deus estão presentes desde o Antigo
Testamento. Mas é no Novo Testamento que a mensagem sobre o Reino de Deus se
desenvolve de uma forma ainda mais clara, principalmente sendo o tema mais
frequente da pregação de Jesus.
No Sermão do Monte, por exemplo, Jesus tratou
explicitamente sobre a ética do Reino de Deus; bem como em suas parábolas ele
ensinou sobre os princípios que caracterizam a natureza desse reino. Grande
parte das parábolas de Jesus é introduzida com o objetivo de
revelar algum aspecto do Reino de Deus (“E o Reino de Deus é como […]”).
Reino de Deus ou Reino dos Céus?
Algumas pessoas tentam aplicar significados
diferentes às designações “Reino de Deus” e “Reino dos Céus”. Mas um estudo bíblico básico
sobre o tema mostra claramente que não há qualquer diferença entre essas duas
expressões.
A expressão “Reino dos Céus” aparece trinta e
quatro vezes no Evangelho de Mateus; enquanto que a expressão “Reino de Deus”
aparece somente cinco vezes. Já os outros três Evangelhos fazem uso frequente
da expressão “Reino de Deus”.
Além disso, em várias passagens que Mateus usa a designação “Reino dos
Céus”, os textos paralelos de Marcos, Lucas e João usam a designação “Reino de
Deus”. O próprio Mateus usou as duas expressões juntas de forma intercambiável
(Mateus 19:23,24). Portanto, as designações “Reino de Deus”, “Reino dos Céus”
ou simplesmente “Reino” são sinônimas (cf. Mateus 5:3; Lucas 6:20).
Há uma sugestão muito usada para explicar o motivo
pelo qual Mateus usa “Reino dos Céus” em preferência a “Reino de Deus”. Essa
explicação diz que Mateus usa
a expressão “Reino dos Céus” porque ele era um judeu escrevendo para judeus. Os
judeus tinham por costume usar o nome de Deus o menos possível, por tê-lo como
muito sagrado. Então Mateus respeitou essa tradição e falou do “Reino dos
Céus”.
Por outro lado, a expressão “Reino dos Céus” talvez não fosse tão
inteligível para os gentios quanto “Reino de Deus”. Então pode ser por isso que
Marcos, Lucas e João usam essa expressão ao invés de “Reino dos Céus”.
O significado do Reino de Deus na
Bíblia
O conceito do Reino de Deus pode ser trabalhado tanto de forma mais
ampla quanto mais restrita; tanto em seu significado mais geral quanto mais
específico. Como foi dito, seu significado geral fala do reinado eterno e
soberano de Deus sobre tudo. Do começo ao fim a Bíblia mostra Deus como o rei
supremo que governa todas as coisas (cf. Salmos 103:19; 113:5; Daniel 4:34,35;
Mateus 5:34; Efésios 1:20; Colossenses 1:16; Hebreus 12:2; Apocalipse 7:15;
etc.).
Já o Reino de Deus em seu significado mais restrito fala de tudo o que
envolve a ação soberana de Deus na redenção de seu povo. Por isso inclui-se no
conceito de “Reino de Deus” a obra de Cristo, a realidade presente da Igreja e
as bênçãos da salvação, e a consumação de todas as promessas na bem-aventurança
eterna no universo redimido.
Nesse sentido é impossível dissociar a ideia de
salvação do conceito de Reino de Deus. A entrada no Reino de Deus expressa
justamente a realidade de ser redimido por Cristo e habitado pelo Espírito Santo.
Então ninguém pode entrar no Reino de Deus por seus próprios méritos.
Os discípulos entenderam a intima conexão entre
salvação e Reino de Deus. Quando Jesus disse que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do
que um rico entrar no Reino de Deus, eles logo questionaram: “Então,
quem pode ser salvo?” (Marcos 10:25,26).
O desenvolvimento do Reino de Deus
Apesar de Deus governar todo o universo
soberanamente de seu trono, por causa do pecado a
humanidade caída se recusa a reconhecer o governo de Deus. Desde o início da
história do mundo os ímpios têm se levantado em rebelião contra o Reino de
Deus. Mas isso um dia isso chegará ao fim. O Reino de Deus durará para sempre e
toda oposição a ele caíra em ruína.
Mas segundo as Escrituras, tudo isso envolve um
longo processo histórico. O compromisso com o Reino de Deus foi primeiramente
guardado na linhagem piedosa de Sete, que culminou na obediência de Noé. Depois, num novo estágio, ele foi mantido com Abraão e
sua descendência. Então é possível dizer que no Antigo Testamento a revelação
do Reino de Deus limitava-se ao povo de Israel. Enquanto isso, as demais nações
estavam em trevas e em completa rebelião contra Deus.
Mas havia um propósito muito mais amplo; o Reino de Deus não haveria de
ficar restrito apenas ao povo de Israel. Aquele era somente um estágio
temporário que daria lugar a um novo estágio, um estágio final e superior do
Reino de Deus.
Por isso os profetas profetizaram sobre a expansão do Reino de Deus
sobre toda a terra, onde judeus e gentios haveriam de se juntar em total
rendição e obediência a Deus, cujo reino jamais teria fim (cf. Gênesis
17:17-20; 18:18; 1 Crônicas 16:23-36; Salmo 67; 97; Isaías 52:7-15; Malaquias
4; Romanos 4:13-17).
Quando Cristo encarnou neste mundo, Ele inaugurou o
estágio final do Reino de Deus. Ele é o Messias davídico, o Rei escolhido que
trouxe o Reino de Deus à terra de uma forma inédita. Por isso João Batista,
o arauto do Messias, e o próprio Jesus, anunciaram firmemente que o Reino dos
Céus havia chegado, trazendo graça e juízo (Mateus 3:2-12; 4:17). Mas como fica
claro, o Reino de Deus se desenvolve de tal forma a alcançar seu cumprimento
pleno na consumação dos séculos.
Os aspectos do Reino de Deus
Considerando a ideia da revelação e desenvolvimento progressivo do Reino
dos Céus ao longo dos tempos, podemos dizer que a Bíblia expõe o Reino de Deus
em dois aspectos: presente e futuro. Vejamos melhor cada um desses dois
aspectos.
O aspecto presente do Reino de Deus
No aspecto presente, falamos do Reino de Deus em seu prosseguimento
atual na Igreja. Nesse aspecto, W. Hendriksen fala do Reino de Deus como sendo
o domínio do Senhor reconhecido no coração e ativo na vida do seu povo. Então
esse conceito envolve as bênçãos da salvação para aqueles que reconhecem o
senhorio de Cristo. Os cidadãos do Reino são aqueles que foram arrancados do
reino das trevas para o Reino de Cristo (Colossenses 1:13).
Também é verdade que o Reino de Deus se desenvolve
de forma misteriosa durante a era do Evangelho (Mateus
13:19-52; Marcos 4:30). Ainda nesse aspecto presente, Jesus diz que o Reino de
Deus não vem com aparência exterior, “porque o Reino de Deus está entre
vós” (Lucas 17:20,21). Aqui, através de sua vida e testemunho, a
Igreja é chamada a tornar visível o Reino de Deus. Além disso, os milagres de
Jesus, operados pelo poder do Espírito Santo, serviram como
evidência da chegada do Reino de Deus (Mateus 12:28).
Portanto, o Reino de Deus nesse último estágio, no aspecto presente, foi
inaugurado por Cristo (Mateus 2:2; 4:23; 9:35; 27:11; Marcos 15:2; Lucas 16:16;
23:3; João 18:37). Agora ele está em pleno andamento na Igreja (Mateus 24:14;
Romanos 14:16,17; 1 Coríntios 4:19,20; Colossenses 4:11).
O aspecto futuro do Reino de Deus
O Reino de Deus continuará em progresso até que
alcançará sua manifestação final e plena quando Cristo
voltar em glória. Sim, num certo aspecto o Reino de Deus já
está aqui, mas, num outro aspecto, ele ainda virá. Ele é algo presente, mas
também é algo futuro (Mateus 7:2-22; 25:34; 26:29). Por isso Jesus Cristo fala
do Reino como uma herança que está preparada para os santos (Mateus 25:34).
O Reino de Deus, que nesse último estágio presente estende-se a todos os
povos e nações, em breve será consumado (1 Coríntios 15:50-58; Apocalipse
11:15). O dia em que isso acontecerá está decretado pelo próprio Deus, mas é
desconhecido dos homens (Atos 1:7). Quando o Reino de Deus for consumado vindo
em toda sua plenitude, a vontade divina será obedecida de forma perfeita no
universo redimido.
Nesse dia se dará o cumprimento final da oração
ensina por Jesus: “Venha a nós o vosso Reino; seja feita a tua vontade,
assim na terra como no céu” (Mateus 6:10). Toda oposição ao perfeito,
sábio e santo conselho de Deus desaparecerá.
Conclusão sobre o Reino de Deus
Falar do Reino de Deus é falar da própria mensagem das Escrituras. Em
seu Comentário do Novo Testamento, W. Hendriksen sintetiza o conceito bíblico
do Reino de Deus no ensino de Jesus de uma forma bem didática a qual reproduzo
abaixo com algumas adaptações:
·
O Reino de Deus é o domínio ou a
soberania reconhecida de Deus (Mateus 6:10).
·
O Reino de Deus envolve a completa
salvação. Em outras palavras, o Reino de Deus inclui todas as bênçãos materiais
e espirituais que acontecem quando Deus é reconhecido e obedecido como o Rei do
nosso coração (Mateus 10:25,26).
·
A Igreja é
a comunidade de pessoas em cujos corações Deus é reconhecido como Rei e Senhor.
Então há um sentido específico em que o Reino de Deus e a Igreja são expressões
quase que equivalentes. Isso explica a promessa de Jesus ao falar sobre a
liderança e o fundamento apostólico na edificação da Igreja: “Dar-te-ei
as chaves do Reino dos Céus” (Mateus 16:19).
·
O Reino de Deus também fala da
bem-aventurança eterna; fala da vida no novo céu e nova terra com toda sua
glória. Esse é o sentido futuro do Reino que expressa a realização final do
poder salvador de Deus (Mateus 25:34).

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