A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável, conforme Romanos 12:2, que nos ensina a não nos conformarmos com este
mundo, mas a nos transformarmos pela renovação da mente para experimentar essa
vontade. Isso significa que o propósito de Deus reflete Sua natureza pura,
santa e justa, manifestando-se através de Sua graça e misericórdia. A
compreensão dessa vontade nos ajuda a viver de acordo com os princípios divinos
e a buscar um relacionamento mais profundo com Ele.
I. DEFINIÇÃO DA VONTADE DE DEUS.
De modo geral, a
Bíblia refere-se à vontade de Deus em três sentidos diferentes.
(1) A vontade de Deus é outra maneira de se
identificar a Lei de Deus.
Davi, por exemplo, forma um paralelo entre a frase
“tua lei” e “tua vontade” no Sl 40.8. Semelhantemente, o apóstolo Paulo
considera que, conhecer a Deus é sinônimo de conhecer a sua vontade (Rm
2.17,18).
Noutras
palavras: como em sua Lei o Senhor nos instrui no caminho que Ele traçou, ela
pode ser apropriadamente chamada “a vontade de Deus”. “Lei” significa
essencialmente “instrução”, e inclui a totalidade da Palavra de Deus.
(2) Também se emprega a expressão “a vontade de
Deus” para designar qualquer coisa que Ele explicitamente quer.
Pode ser corretamente designada de “a perfeita
vontade” de Deus. E a vontade revelada de Deus é que todos sejam salvos (1Tm
2.4; 2Pe 3.9) e que nenhum crente caia da graça (ver Jo 6.39). Isso não quer
dizer que todos serão salvos, mas apenas que Deus deseja a salvação de todos.
“Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão”. Isaías 53.10
(3) Finalmente, a “vontade de Deus” pode
referir-se àquilo que Deus permite, ou deixa acontecer, embora Ele não
deseje especificamente que ocorra.
Tal coisa pode ser corretamente chamada “a vontade
permissiva de Deus”. De fato, muita coisa que acontece no mundo é contrária à
perfeita vontade de Deus (e.g., o pecado, a concupiscência, a violência, o
ódio, e a dureza de coração), mas Ele permite que o mal continue por enquanto.
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A chamada de Jonas para ir a Nínive fazia parte da
perfeita vontade de Deus, mas sua viagem na direção oposta estava dentro de sua
vontade permissiva (ver Jn 1). Além disso, a decisão de muitas pessoas
permanecerem sem salvação é permitida por Deus.
Ele não impõe a fé aos que recusam a salvação
mediante o seu Filho. Semelhantemente, muitas aflições e males que nos acometem
são permitidos por Deus (1Pe 3.17; 4.19), mas não é desejo seu que soframos
(ver 1Jo 5.19).
II. FAZENDO A VONTADE DE DEUS.
O ensino bíblico a respeito da vontade de Deus não
expressa apenas uma doutrina. Afeta a nossa vida diária como crentes.
(1) Primeiro, devemos descobrir qual é a vontade de
Deus, conforme revelada nas Escrituras. Como os dias em que vivemos são maus,
temos de entender qual a perfeita e agradável vontade de Deus (Ef 5.17).
(2) Uma vez que já sabemos como Ele deseja que
vivamos como crentes, precisamos dedicar-nos ao cumprimento da sua vontade.
O salmista, por exemplo, pede a Deus que lhe ensine
a “fazer a tua vontade” (Sl 143.10). Ao pedir, igualmente, que o Espírito o
guie “por terra plana”, indica que, em essência, está rogando a Deus a
capacidade de viver uma vida de retidão. Semelhantemente, Paulo espera que os
cristãos tessalonicenses sigam a vontade divina, evitando a imoralidade sexual,
e vivendo de maneira santa e honrosa (1Ts 4.3,4).
Noutro lugar, Paulo ora para que os cristãos
recebam a plenitude do conhecimento da vontade divina, a fim de viverem
“dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo” (Cl 1.9,10).
(3) Os crentes são exortados a orarem para que a
vontade de Deus seja feita (cf. Mt 6.10; 26.42; Lc 11.2; Rm 15.30-32; Tg
4.13-15). Devemos desejar, com sinceridade, a perfeita vontade de Deus, e ter o
propósito de cumpri-la em nossa vida e na vida de nossa família (ver Mt 6.10
nota).
Se essa for a nossa oração e compromisso, teremos
total confiança de que o nosso presente e futuro estarão sob os cuidados do Pai
(cf. At 18.21; 1Co 4.19; 16.7). Se, porém, há pecado deliberado em nossa vida,
e rebelião contra a sua Palavra, Deus não atenderá as nossas orações.
Não poderemos esperar que a vontade divina seja
feita na terra como no céu, a não ser que nós mesmos procuremos cumprir a sua
vontade em nossa própria vida.
(4) Finalmente, não podemos usar a vontade de Deus
como desculpa pela passividade, ou irresponsabilidade, no tocante à sua chamada
para lutarmos contra o pecado e a mornidão espiritual. É Satanás, e não Deus, o
culpado por essa era maligna, com a sua crueldade, maldade e injustiça (ver 1Jo
5.19 nota).
É também Satanás quem causa grande parte da dor e
sofrimento no mundo (cf. Jó 1.6-12; 2.1-6; Lc 13.16; 2Co 12.7). Assim como
Jesus veio para destruir as obras do diabo (1Jo 3.8), assim também é da vontade
explícita de Deus que batalhemos contra as hostes espirituais da maldade por
meio do Espírito Santo (Ef 6.10-20; 1Ts 5.8).

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